Pactum

Impostos passam a ser prioridade em conselhos de administração

24 de maio de 2010

A rotina dos conselhos de administração de empresas de capital aberto anda carregada. Acostumados a lidar com questões estratégicas da vida das companhias, esses profissionais são cada vez mais cobrados pelos investidores.

Desde a crise dos derivativos, eles se envolvem de perto com aquilo que se tornou prioridade: reduzir os riscos das empresas. E o assunto da vez é o gerenciamento tributário.

Pesquisa global realizada pela KPMG aponta que para 27% das 890 empresas consultadas, a eficiência fiscal e a administração do tempo de pagamento dos impostos ganharam importância ao longo do último ano.

A questão é prioritária também para as grandes corporações. Um total de 39% delas afirmou na pesquisa que melhorar a gestão de tributos permanecerá entre suas principais metas do ano.

Um dos temas constantemente levado à mesa dos conselhos é a tentativa de reduzir impostos e tornar o desembolso de altos valores o mais racional possível. Uma complicação no país, que possui um emaranhado de taxas e tributos nas três instâncias administrativas: federal, estadual e municipal.

No Brasil, a pesquisa da KPMG entrevistou 40 empresas. Para 75% delas, a prioridade é reduzir os impactos dos impostos no fluxo de caixa. Em segundo lugar, com 68% das citações, está a tentativa de reduzir os valores pagos.

A redução de riscos tributários também foi citada como essencial por 68% das companhias. Entre os principais riscos estão a falta de padronização, citada por 23% dos entrevistados, e a falta de profissionais qualificados, apontada por 20%. A falta de padronização e de equipes de profissionais suficientemente qualificadas estão entre os fatores de risco para a área.

Vantagem

O valor da governança corporativa - no caso identificada pelo melhor controle de sistemas - também foi levado em consideração pelo levantamento. Entre as corporações com melhores práticas corporativas, 89% seguem padrões mundialmente reconhecidos para políticas e procedimentos envolvendo tributos. Nas empresas com índices menos elevados, esse valor cai para 25%.

Em muitas empresas de grande porte, os conselheiros são auxiliados por comitês em questões complexas como contabilidade e tributação. É uma forma de dividir responsabilidades sem perder o controle do conjunto. Em uma prova de que a padronização é desejada pelos conselheiros, foi citada por 67% das empresas por ser a responsável por reduzir ou até eliminar riscos tributários.

FONTE: Jornal Brasil Econômico; 19.05.2010 

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