O futuro chegará em 2010?
18 de dezembro de 2009
A grande euforia econômica vivida no Brasil na década de 1970 fez nascer a expressão “O Brasil é o país do futuro”. Na época, crescíamos a taxas elevadas, e não havia dúvidas de que em pouco tempo surgiria, na América do Sul, uma potência capaz de rivalizar com norte-americanos, europeus e japoneses.
Tamanho crescimento, no entanto, estava baseado numa irresponsável política fiscal expansionista, que, com os choques energéticos de 1974 e 1979, rapidamente se esgotou. Como resultado, o futuro não chegou como se esperava. Pelo contrário, veio em forma de uma nova expressão: “A Década Perdida”, para caracterizar os anos 1980, cujo pífio crescimento e os altos índices inflacionários congelaram o país enquanto o resto do mundo desenvolvia-se mais rapidamente. Quase 40 anos depois, a maneira como o Brasil reage à crise econômica de 2008 surpreende até mesmo os mais otimistas. As agências internacionais de classificação de risco elevam as avaliações do país, que passa a ser um grande polo de investimentos e desenvolvimento de negócios.
A continuidade da política econômica teve como consequência a redução da taxa de juros, que vem atingindo os menores patamares da história. Com a redução do custo financeiro, altera-se uma antiga percepção brasileira de que o investimento produtivo era menos rentável do que o investimento financeiro.
As crises financeiras da década de 1990 obrigaram os governantes a criar uma série de regulações que tornaram o sistema bancário mais forte e seguro em comparação aos pares norte-americanos e europeus. O grau de alavancagem dos bancos nacionais não se comparava ao das instituições afetadas pela crise no hemisfério norte.
Por outro lado, a elevação da renda do brasileiro e a inclusão social decorrentes dos programas sociais têm elevado o número de consumidores, criando uma massa de consumo interno e uma efervescência no mercado imobiliário, gerando um efeito positivo para as empresas ligadas a tais áreas. O país também é escolhido para sediar grandes eventos, que obrigarão a criação de uma gama de novos investimentos.
Por todos esses motivos, cresce o sentimento de que o futuro chegou e que 2010 será a vez do Brasil. Mas pode-se estar seguro disto?
Certamente 2010 será muito positivo para todos os setores do país. A renda das famílias e o emprego crescerão, assim como as oportunidades para empresas de diversos ramos. Mas, para que o futuro chegue de fato, as autoridades devem preocupar-se com toda a década, garantindo um crescimento equilibrado e investimento na formação de capital físico (industrialização e urbanização) e na elevação do capital humano (educação). Para tanto, é necessário adotar uma agenda positiva, com reformas estruturais (Tributária, Trabalhista, Previdenciária) e esforço adicional no controle dos gastos públicos.
O Brasil tem, sem dúvida, grande potencial para fazer surgir o futuro desejado e 2010 será emblemático nesse sentido. Mas os bons ventos que sopram não podem iludir nossos governantes e, sim, impulsioná-los na busca das soluções que o país há tanto anseia.


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