O momento é de acreditar no mercado interno e no crescimento brasileiro
20 de abril de 2009
A economia nacional e mundial neste momento de crise financeira foi o tema da entrevista do Datapactum com José Fernando Coura, Diretor Financeiro da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) e Presidente do Sindiextra – Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais.
Um dos principais efeitos da crise econômica mundial é a falta de liquidez. Esta situação é uma realidade no Brasil? Como as empresas e a economia são afetadas pela falta de liquidez?
Evidentemente que a falta de liquidez pode ser percebida no Brasil, mais fortemente por alguns segmentos, como, por exemplo, pelas empresas exportadoras, afetadas pelo deságio e pela taxa cambial. Já o ouro, por outro lado, é uma commoditie, manteve o preço, mas não encontra investidor devido à recessão no sistema financeiro. Ou seja, a mineração e a siderurgia vivem uma crise de demanda (não de liquidez). A falta de recursos para habitação, para aquisição de automóveis e de bens duráveis retrai o consumo e gera uma crise de demanda. A verdade é que a crise financeira atinge a indústria como um todo e, em especial, os novos projetos industriais.
A falta de liquidez é apenas um aspecto da crise econômica. Quais outros aspectos também estão impactando o mercado brasileiro?
Como falei antes, a demanda. As políticas públicas não vão resolver a retomada dos negócios na mineração e na siderurgia, apenas a retomada do consumo pode acelerar estes segmentos. Também existe uma crise de desconfiança. Voltando ao exemplo do ouro: historicamente, o valor do ouro está num patamar superior, próximo de US$ 1.000 a onça, com bons projetos disponíveis no mercado, mas não conta com a confiança dos investidores, que preferem manter o dinheiro protegido e não arriscar no setor industrial. Isto não é tudo. O empresário brasileiro sente a concorrência predatória dos produtos chineses, enquanto enfrenta juros astronômicos e carga tributária altíssima.
A crise econômica tem aspectos positivos? Quais?
Sem dúvida, a crise é uma oportunidade para redirecionar e reconstruir. Mas acredito que a principal lição da crise foi para os Estados Unidos e para a Europa, que perceberam a importância de regulamentar e controlar o sistema financeiro. Neste aspecto, o Brasil é um modelo, uma referência. O sistema financeiro nacional é seguro, eficaz e eficiente. Apesar de toda a crise econômica mundial, não se vislumbra recessão no país. Os bancos brasileiros são sólidos e apresentam excelente lucratividade, por conta de um sistema de controle de mercado que deu certo.
Qual conselho o senhor daria para os empresários neste momento?
Acreditar no mercado interno. Como mineiro, acredito no modelo Juscelino Kubitschek,ou seja, acho que um choque de infra-estrutura (habitação, saneamento, portos) pode assegurar o crescimento do país, levando a um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O Brasil tem um potencial de crescimento muito grande porque tem muitas pessoas fora do mercado.
E quem seria o responsável por este “choque de infra-estrutura”? Governo ou iniciativa privada?
O governo aliado à iniciativa privada e, inclusive, com parceiros internacionais.

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