Governo muda política de crédito

Governo muda política de crédito

Captar recursos em bancos de fomento para investimentos na ampliação ou modernização das suas atividades ficou mais caro para as empresas. É que a partir de 1º de janeiro está em vigor a Medida Provisória 777, que criou a Taxa de Longo Prazo (TLP) em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A troca será gradual e vai demorar até cinco anos.

 

Com isso, o banco acabará com as linhas de crédito divididas por setor, transformadas em duas apenas: a incentivada, para investimentos prioritários, e a padrão, para os demais projetos. A nova taxa se aproxima do custo de captação do governo (através dos títulos públicos), mais elevada do que a TJLP, mas ainda abaixo daquelas praticadas pelo setor privado.

 

Conforme a então presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, a disposição foi priorizar o uso da nova taxa em projetos que tenham atributos muito claros de inovação, de saúde, de educação ou aqueles de impacto ambiental e de maior retorno social. Em 2013, por exemplo, foram destinados R$ 190 bilhões em empréstimos, dos quais 66,6% direcionados às empresas de grande porte como Ambev, Vale do Rio Doce e Votorantim.

 

“Aquela janela de juros demasiadamente subsidiados se fechou, mas ainda pode ser vantajoso para algumas empresas ou projetos”, afirma Rodrigo Piazzeta, economista e sócio da Pactum Consultoria Empresarial.

 

A periodicidade de revisão da taxa também mudou, passando a ser mensal, ao invés de trimestral, tornando a volatilidade do indicador potencialmente muito maior. Em contrapartida, uma vez determinada no contrato de financiamento, a taxa será fixa.

 

Piazzeta afirma que a captação será mais segura: “Os contratos anteriores tinham taxas pós-fixadas, o que significa que o empresário ficava à mercê das decisões posteriores de fixação da TJLP. Já nos novos contratos, a taxa poderá até ser maior, mas será sempre a mesma. Sem surpresas. Uma taxa maior obrigará os empresários a serem mais seletivos nos projetos apresentados ao BNDES”.

 

Segundo ele, também será positivo, no médio e longo prazo, para o mercado de capitais e para o surgimento de novos instrumentos (privados) de fomento mercantil.

 

“Para este mercado ‘novo’ de captação direta é positivo, pois incentiva a dinamização”, comenta Antonio Caldeira, especialista da Pactum Consultoria Empresarial.

 

Haverá o incentivo para a criação de alternativas para suprir a busca por crédito no mercado. Caldeira cita projetos de abertura de capital (IPO), fundos privados e family offices, além de outras fontes de financiamento que não seguem a mesma política que o BNDES.

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