Entenda de vez IBS, CBS e IS: os novos impostos da Reforma Tributária
7 de janeiro de 2026
O ano de 2026 marca o início oficial da convivência entre dois modelos tributários: o sistema antigo, baseado em PIS, Cofins, ICMS e ISS, e o novo modelo que começa a ganhar forma com IBS, CBS e IS. As alíquotas simbólicas de IBS (0,1%) e CBS (0,9%) já estão em vigor, mas não se engane: embora o impacto financeiro ainda seja mínimo, o impacto operacional é bastante relevante.
A exigência de emitir documentos fiscais no novo padrão, alimentar bases com maior granularidade e operar em um ambiente de dados mais rigoroso já está expondo um ponto crítico: o maior risco da Reforma não está nos impostos novos, e sim na falta de preparo das empresas.
Este guia explica o que já mudou, o que muda nos próximos meses e quais ações imediatas médias e grandes empresas precisam executar para navegar os novos impostos da Reforma Tributária com segurança e eficiência.
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Quais são e como funcionam os novos impostos da Reforma Tributária?
A implantação dos novos impostos em 2026 trouxe uma virada estrutural no modo como as empresas registram, classificam e apuram tributos no Brasil. IBS, CBS e IS não são apenas novos nomes para substituir ICMS, ISS, PIS e Cofins. Eles compõem um novo sistema, baseado em padronização nacional, crédito financeiro amplo e cálculo ‘por fora’, que exige consistência absoluta das informações fiscais.
Esse novo modelo faz com que a qualidade dos cadastros, o mapeamento das operações e a integração entre sistemas se tornem tão importantes quanto a própria legislação.
É aqui que muitas empresas têm enfrentado dificuldade: o desenho técnico dos novos tributos é mais simples na teoria, mas muito mais exigente na prática. Para entender isso com clareza, vale olhar separadamente o papel de cada imposto no contexto de 2026, ano em que eles passam a integrar o ciclo operacional das empresas, ainda que de forma simbólica no recolhimento.
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CBS — A espinha dorsal federal do novo IVA
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) marca a transição definitiva do Brasil para um modelo de crédito financeiro amplo. Ela substitui PIS e Cofins, mas, diferentemente desses tributos, opera com um conjunto de regras unificadas e previsíveis, aplicando o princípio da não cumulatividade plena.
Em 2026, mesmo com alíquota simbólica, a CBS já exige que as empresas revisem seus cadastros de produtos e serviços, adequem NCMs, reorganizem regras de crédito e adaptem seus ERPs ao novo layout de documentos fiscais.
Isso acontece porque o fisco passa a trabalhar com uma granularidade muito maior: cada item de nota agora precisa estar tecnicamente coerente para que o crédito seja reconhecido.
Na prática, a CBS funciona como um teste de integridade dos sistemas internos. Ela evidencia inconsistências de classificação, falhas de integração entre módulos contábil e fiscal e problemas estruturais em bases antigas. Empresas que ainda operam com parametrizações desatualizadas irão encontrar dificuldades para emitir documentos no novo padrão e para garantir que os créditos gerados sejam válidos.
IBS — O novo eixo estadual/municipal e o desafio da padronização
O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) unifica ICMS e ISS e impõe um padrão nacional de tributação, substituindo regras que antes variavam entre estados e municípios. Mesmo com alíquota reduzida em 2026, o imposto já exige uma reorganização completa das operações, porque sua lógica central mudou: o cálculo agora é feito no destino, e não mais na origem.
Essa alteração força empresas com operações interestaduais ou multiestabelecimentos a revisarem CFOPs, fluxos logísticos e parametrizações internas para evitar erros de apuração. Como o IBS será administrado por um Comitê Gestor único, as normas passam a ser uniformes em todo o país, o que reduz incertezas, mas aumenta a exigência técnica por sistemas rigidamente sincronizados.
ERPs, WMS, TMS e demais plataformas de gestão empresarial e logística precisam, desde já, operar com dados que reflitam fielmente a realidade das operações. Eventuais inconsistências toleradas no modelo atual, se mantidas durante o período de transição, poderão comprometer a correta apuração fiscal e a apropriação de créditos no novo sistema tributário.
Por isso, o IBS se tornou o imposto que mais pressiona a infraestrutura tecnológica das empresas. Ele não tolera cadastros inconsistentes, regras duplicadas ou falhas de integração. Em 2026, está revelando fragilidades que antes ficavam ocultas no ICMS e no ISS.
IS — O imposto extrafiscal
Diferentemente do IBS e da CBS, o IS (Imposto Seletivo) não integra o IVA. Trata-se de um tributo adicional, aplicado a produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, alimentos com alto teor de açúcar, entre outros.
A lógica do IS não é uniforme. Cada produto estará sujeito a alíquotas distintas, graduadas conforme o grau de prejudicialidade, o que exige atenção redobrada na classificação fiscal e na formação de preços.
Além do efeito regulatório, o imposto também cumpre uma função de equilíbrio arrecadatório: as alíquotas majoradas do IS têm como contrapartida a possibilidade de redução das alíquotas de outros tributos, contribuindo para manter a neutralidade da carga global. Para as empresas impactadas, isso se traduz em ajustes imediatos em sistemas, compliance e estratégia tributária.
A lógica integrada dos três impostos
Embora tenham finalidades distintas, IBS e CBS já estão operando em 2026 como um sistema interdependente de validação fiscal. A emissão das notas, a apropriação dos créditos, a estrutura das obrigações acessórias e a consistência da base cadastral de produtos precisam estar alinhadas para evitar divergências.
É justamente essa interdependência que está criando o maior desafio operacional da reforma: pela primeira vez, a qualidade técnica dos dados é determinante para garantir segurança jurídica e preservar margem de lucro. Erros que antes eram absorvidos pelo sistema atual agora se tornam visíveis, rastreáveis e, em muitos casos, penalizados.
O que já mudou na prática com os novos impostos em 2026?
1. Operação fiscal mais rigorosa desde o primeiro dia
Desde janeiro de 2026, IBS e CBS passaram a integrar obrigatoriamente o ciclo operacional das empresas. Mesmo com alíquotas simbólicas, o novo modelo exige documentos fiscais no padrão atualizado, entrega de informações mais detalhadas e um nível de precisão que o sistema anterior não exigia. A fase simbólica funciona como um ambiente de teste supervisionado pelo fisco, revelando, na prática, o grau de preparo tecnológico e cadastral de cada organização.
2. Emissão de notas fiscais com novas regras
A adoção do layout definido pela LCP 214/2025 trouxe campos, validações e estruturas inéditas. Empresas com sistemas desatualizados têm enfrentado rejeições, falhas de preenchimento e retrabalho, aumentando o risco de penalidades por obrigação acessória. O que antes era apenas um problema operacional tornou-se um ponto de risco fiscal direto.
3. Exigência de granularidade e consistência de dados
IBS e CBS exigem que cada item, operação e serviço esteja classificado com rigor técnico. A lógica do crédito financeiro depende de informações coerentes, o que transforma cadastros incompletos ou defasados em gargalos reais. Bases antigas, antes toleradas, agora quebram rotinas de apuração e geram divergências difíceis de corrigir.
4. A apuração simbólica como auditoria em tempo real
Embora o recolhimento ainda seja baixo, a apuração simbólica funciona como um mecanismo de auditoria contínua. O fisco utiliza esses dados para identificar padrões de erro, inconsistências sistêmicas e fragilidades processuais que podem resultar em autuações quando as alíquotas cheias forem ativadas. O ano de 2026 deixou claro: não há espaço para operações sem rastreabilidade.
5. Integração entre sistemas revela fragilidades escondidas
A mudança fiscal expôs problemas de integração antes mascarados pelo modelo antigo. ERPs, emissores, WMS, OMS, TMS e plataformas digitais agora precisam operar com dados idênticos e sincronizados.
Diferenças mínimas de classificação ou regras desatualizadas geram:
Notas divergentes entre módulos;
Créditos negados;
Apurações inconsistentes.
Esses erros impactam diretamente a eficiência e aumentam a carga operacional das equipes fiscais e de TI.
6. O crédito financeiro começa a alterar margens e estratégias
Mesmo no primeiro ano, o novo modelo já permite enxergar quais produtos ganham competitividade e quais operações se tornam mais custosas. Empresas com boa governança de dados conseguem ajustar preços e margens com antecedência. As que ainda trabalham com cadastros imprecisos apenas reagem a problemas, acumulando riscos que irão se materializar quando a CBS e o IBS forem plenamente aplicados.
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Quem se beneficia e quem está mais exposto em 2026?
Em 2026, o novo modelo já favorece empresas com cadeias produtivas longas, alto volume de insumos tributados e operações estruturadas em sistemas integrados. Indústrias, agroindústrias e exportadores sentem ganhos imediatos porque conseguem converter crédito financeiro com consistência, além de operar com cadastros mais estáveis e fluxos bem mapeados.
Onde há governança de dados, a transição para IBS e CBS tende a ocorrer com previsibilidade e impacto positivo nas margens.
Na outra ponta, serviços, varejo e empresas com múltiplos canais ou operações interestaduais enfrentam mais pressão. A menor geração de crédito, somada a cadastros desatualizados, NCMs inconsistentes e sistemas que não se conversam, expõe falhas que o modelo antigo mascarava.
São essas organizações que acumulam divergências, retrabalho e risco de glosas, mesmo antes de as alíquotas cheias entrarem em vigor.
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O que médias e grandes empresas precisam fazer agora?
1. Revisar cadastros com rigor técnico
O IVA expõe imediatamente qualquer inconsistência de NCM, descrição, unidade de medida, natureza de operação ou regra de crédito. Por isso, a revisão cadastral deixou de ser uma melhoria opcional e passou a ser condição mínima para operar. Bases antigas ou incompletas estão distorcendo apurações simbólicas, impedindo reconhecimento de créditos e gerando rejeições na emissão de notas.
2. Mapear operações com precisão operacional
A lógica do destino no IBS e o crédito financeiro na CBS exigem que cada fluxo, entrada, saída, devolução, transferência, importação e serviço, esteja claramente definido. Empresas que mantiveram fluxos genéricos ou regras herdadas do ICMS/ISS têm enfrentado incompatibilidades no novo padrão. O mapeamento detalhado elimina ambiguidades e reduz o risco de enquadramentos errados.
3. Ajustar e integrar sistemas sem dependência de correções manuais
ERP, WMS, TMS, OMS, PDV e plataformas digitais precisam operar como uma única base de verdade. Em 2026, qualquer divergência entre sistemas gera notas conflitantes, créditos recusados e inconsistências de apuração. Ajustes manuais, comuns no modelo antigo, não sustentam o IVA. Integrar, padronizar e parametrizar sistemas tornou-se prioridade estratégica.
4. Reparametrizar regras fiscais para o modelo do IVA
A parametrização antiga, construída sobre ICMS, ISS, PIS e Cofins, não atende ao padrão técnico de IBS e CBS. É necessário revisar fórmulas, exceções, regimes específicos, tratamentos diferenciados e regras de crédito. Sem essa reestruturação, o sistema reproduz erros antigos em um ambiente que agora os torna visíveis e penalizados.
Confira o cronograma completo da Reforma Tributária.
5. Treinar equipes além do departamento fiscal
O IVA altera rotinas de TI, compras, pricing, logística, suprimentos e controladoria. Erros não surgem apenas no fiscal, eles são consequência de decisões mal estruturadas ao longo da cadeia. Capacitar equipes diversas reduz retrabalho e aumenta a aderência ao modelo.
6. Realizar diagnóstico especializado para reduzir riscos futuros
O período simbólico não elimina risco: ele apenas adia o impacto financeiro. Empresas que realizam diagnósticos profundos agora corrigem falhas antes que elas se transformem em glosas, autuações e perda de competitividade. Em operações complexas, isso determina se a transição será um ajuste controlado ou uma crise operacional em 2027.
Por que contar com uma consultoria nesse cenário?
A transição para o IVA não exige apenas atualização de sistemas, mas um nível de precisão técnica que poucas empresas conseguem sustentar sozinhas.
Mapear operações, revisar cadastros, validar regras, simular impactos e garantir integrações estáveis demanda conhecimento especializado, leitura normativa contínua e experiência prática em ambientes de alta complexidade. Sem esse suporte, o risco de glosas, inconsistências e impactos financeiros aumenta a cada ciclo de apuração.
Uma Consultoria Tributária ajuda a antecipar problemas antes que eles afetem o caixa, corrige falhas estruturais de dados, reforça a governança fiscal e orienta decisões que preservam margem e segurança jurídica.
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Reforma Tributária
Escrito por
Tassiana Flores
Advogada e Coordenadora do Jurídico na Pactum. Pós-graduada em Direito Tributário, atua na gestão estratégica de processos judiciais, na condução de análises técnicas e no desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência fiscal e à segurança jurídica dos clientes.




