Reforma Tributária é boa ou ruim? Impactos reais para empresas com operações complexas

12 de janeiro de 2026

Imagem de topo artigo Reforma tributária é boa ou ruim.
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A pergunta ‘a Reforma Tributária é boa ou ruim?’ geralmente vem carregada de incertezas e dúvidas de equipes empresariais. E a resposta honesta é menos simples do que parece. Aprovado por meio da Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, o novo modelo muda profundamente a lógica de apuração de impostos no Brasil. 

Ele substitui tributos tradicionais por um IVA Dual, composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal, além da criação do Imposto Seletivo.

O discurso oficial da Reforma Tributária enfatiza a simplificação, a eliminação da cumulatividade e o aumento da transparência, bem como a padronização de processos em linha com modelos adotados internacionalmente. 

Do ponto de vista operacional, a Reforma implica mudanças estruturais na forma de apuração, controle e validação dos tributos sobre o consumo, com impactos diretos sobre sistemas, cadastros, processos e gestão fiscal das empresas. A seguir, você tem mais detalhes sobre o tema. 

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O novo modelo de tributação sobre o consumo: o que muda na essência?

A Reforma Tributária não altera apenas os tributos. Ela muda a lógica de funcionamento da tributação sobre o consumo. O modelo atual foi construído com regras distintas para mercadorias e serviços, regimes cumulativos e uma grande quantidade de exceções, o que elevou a complexidade e o custo de conformidade para as empresas.

Esse cenário gerou fragmentação normativa, dependência excessiva de interpretações jurídicas e correções manuais recorrentes. Divergências entre fiscal, contábil e operação passaram a ser comuns, muitas vezes tratadas como parte do processo, e não como falhas estruturais.

Com a CBS e o IBS, o sistema passa a operar sob não cumulatividade plena, baseada em crédito financeiro e rastreabilidade digital. O imposto pago em uma etapa tende a ser recuperável na seguinte, desde que a operação esteja corretamente classificada e registrada. Na prática, o novo modelo reduz exceções e amplia a exigência de padronização, integração sistêmica e controle de dados desde a emissão da operação.


Reforma Tributária é boa ou ruim para as empresas?

Para entender se a Reforma Tributária é boa ou ruim para o seu negócio, é preciso saber que ela altera profundamente a forma como o risco fiscal se manifesta dentro das empresas. O foco deixa de estar concentrado em interpretações jurídicas isoladas e passa a recair sobre a execução técnica da operação, a qualidade dos dados e a integração entre sistemas. A seguir, os impactos mais relevantes para empresas de médio e grande porte.

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Os 6 principais impactos e riscos da Reforma Tributária

1. O crédito financeiro passa a depender da conformidade na origem

A adoção da não cumulatividade plena, com crédito financeiro de IBS e CBS, tende a reduzir distorções ao longo da cadeia e pode representar ganho relevante para operações longas. No entanto, esse benefício só se concretiza quando a operação é corretamente registrada desde a sua origem. 

Empresas com fragilidades em cadastros e escrituração podem enfrentar dificuldades na materialização dos créditos previstos no novo modelo.

2. A precificação se torna mais sensível a erros tributários

Com a CBS e o IBS, o imposto passa a influenciar diretamente a engenharia de preços. A margem deixa de funcionar como amortecedor de ineficiências tributárias, e pequenos erros passam a distorcer o custo real de produtos e serviços.

Nesse cenário, a formação do preço passa a depender de fatores como:

  • Correta apropriação de créditos ao longo da cadeia;

  • Classificação fiscal precisa de produtos e serviços;

  • Parametrização coerente entre ERP, fiscal e faturamento;

  • Alinhamento entre áreas comerciais e tributárias.

Empresas podem perder competitividade mesmo mantendo o mesmo preço nominal, simplesmente por carregarem imposto indevido ou por não capturarem créditos legítimos. O imposto passa a ser um elemento estrutural da estratégia comercial.

3. O custo de compliance aumenta no curto prazo

Do ponto de vista operacional e organizacional, embora a reforma tenha como objetivo a simplificação, o período de transição impõe um aumento relevante da complexidade operacional. Durante a convivência entre o sistema atual e o novo modelo, as empresas precisam lidar com duas lógicas de apuração, maior volume de controles e necessidade constante de validação de dados.

Esse contexto pressiona custos com sistemas, consultoria, treinamento de equipes e tempo operacional das áreas fiscal, contábil e de tecnologia. Sem planejamento, o risco é absorver esse aumento de custo sem capturar os ganhos de eficiência que o novo modelo pode oferecer no médio prazo.

4. A parametrização de sistemas se torna um ponto crítico de risco

Do ponto de vista tecnológico, a Reforma Tributária se materializa nos sistemas. É no ERP e nos motores fiscais que IBS e CBS passam a existir de fato. Regras mal definidas, integrações incompletas ou parametrizações genéricas tendem a gerar distorções que não são facilmente percebidas no curto prazo.

Quando esses erros não são detectados rapidamente, eles se acumulam e aparecem tardiamente como perda de crédito, pagamento indevido ou exposição fiscal relevante.

5. Cadastros fiscais passam a ser o principal fator de exposição

Sob a ótica da governança de dados, no novo modelo, o cadastro deixa de ser um tema operacional secundário e passa a ser um pilar financeiro da apuração tributária. A consistência das informações cadastrais passa a definir diretamente a formação de créditos e débitos.

Os pontos que mais concentram risco são:

  • Inconsistência de NCM e NBS;

  • Descrição técnica inadequada de produtos e serviços;

  • Natureza de operação incompatível com a realidade da transação;

  • Cadastro incompleto de fornecedores, clientes e estabelecimentos;

  • Divergências entre cadastros replicados em sistemas diferentes.

A reforma não cria esses problemas, mas elimina os mecanismos que antes os mascaravam. Em operações com grande volume de itens e múltiplas filiais, o impacto tende a ser ainda mais relevante.

6. O imposto seletivo pode alterar custos e estratégias de portfólio

O Imposto Seletivo (IS) é um tributo criado pela Reforma Tributária com caráter regulatório, aplicado sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Diferentemente da CBS e do IBS, o IS não gera crédito ao longo da cadeia e se incorpora diretamente ao custo do produto ou serviço tributado.

Essa característica introduz uma nova variável estrutural de custo, capaz de afetar direta ou indiretamente diferentes cadeias produtivas. Mesmo empresas que não estejam no foco direto do tributo podem sentir seus efeitos por meio de insumos, logística, frota, energia ou consumo intermediário.

Esse impacto exige uma análise estruturada de exposição, que envolve:

  • Avaliação do impacto em custos diretos e indiretos;

  • Revisão de margens por linha de produto;

  • Ajustes em estratégias de precificação e contratos;

  • Eventual reconfiguração do portfólio.

Tratar o Imposto Seletivo apenas como um adicional na apuração tende a gerar decisões comerciais distorcidas e perda de competitividade.

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Como transformar a transição da Reforma Tributária em vantagem competitiva?

A Reforma Tributária não é um evento pontual. Ela é um processo de transição longa, com impactos progressivos sobre apuração, preço, crédito e fiscalização. Nesse contexto, empresas que tratam a mudança apenas como adequação legal tendem a reagir de forma defensiva. Já aquelas que estruturam a transição como um projeto estratégico conseguem reduzir perdas, antecipar riscos e capturar eficiência.

O primeiro passo é reconhecer que governança tributária passa a ser governança de dados

→ Governança tributária passa a ser governança de dados: com IBS e CBS, a qualidade da informação deixa de ser burocracia e passa a ser condição para crédito, apuração correta e geração de valor. É essencial definir responsabilidades, fluxos e validações dos dados fiscais desde a origem.

→ Revisão cadastral como ponto de partida: cadastros inconsistentes geram perda de crédito e distorções no IVA. Antes de simulações ou ajustes sistêmicos, é necessário sanear a base de dados. Isso envolve: revisão de NCM, NBS e descrições fiscais, padronização de naturezas de operação e regras tributárias, validação de cadastros de clientes, fornecedores e estabelecimentos; e o alinhamento entre sistemas que replicam os mesmos dados.

→ Integração entre áreas e governança de dados: fiscal, contábil, compras, faturamento, comercial e TI passam a compartilhar responsabilidade. O dado fiscal se torna transversal, exigindo regras claras, rastreabilidade e integração entre processos.

→ Parametrização técnica com testes reais: a adaptação ao IBS e à CBS deve ser tratada como projeto técnico. Testes de ponta a ponta, com operações reais e cenários atípicos, são essenciais para evitar erros de apuração e impactos financeiros.

Saiba mais sobre o cronograma da Reforma Tributária clicando aqui → 


Por que sua empresa já deveria estar preparada?

Em janeiro de 2026, o novo modelo já está em vigor, com a introdução da CBS e do IBS em convivência com os tributos atuais. Isso significa que as empresas passaram a operar em um ambiente híbrido.

A transição exige ajustes concretos em cadastros, sistemas, contratos e processos operacionais. Empresas que iniciaram esse trabalho antes de 2026 ganharam tempo para testar, corrigir e adaptar. As que não iniciaram agora enfrentam pressão maior, menor margem de erro e impacto direto no caixa.

Preparação, neste momento, não é alarmismo. É gestão de risco e proteção de margem. Entender como o novo modelo afeta a operação permite antecipar distorções, evitar perda de crédito e tomar decisões com base em dados, não em correções emergenciais. 

É isso que definirá se a Reforma Tributária é boa ou ruim para sua empresa, e é nesse contexto também que uma Consultoria Tributária pode fazer toda a diferença. O planejamento parte da realidade da empresa, analisa a estrutura tributária atual, projeta a aplicação prática da CBS e do IBS e simula os efeitos da transição ao longo do tempo.

Como a Pactum conduz a adequação tributária na prática?

A Reforma Tributária redefine a forma como a gestão tributária precisa ser conduzida. A atuação da Pactum é contínua, técnica e adaptável, acompanhando a evolução das normas e as particularidades de cada operação.

O trabalho é organizado em ciclos, com entregas que combinam diagnóstico, saneamento de dados, ajustes operacionais e revisão fiscal. Cada avanço regulatório é traduzido em ações práticas, priorizadas de acordo com risco, materialidade e impacto financeiro.

Esse modelo permite integração constante entre planejamento e execução, ajustes rápidos diante de novas regulamentações e alinhamento entre áreas fiscais, contábeis e operacionais. O resultado é um processo estruturado, previsível e aderente à lógica de governança exigida pelo novo sistema.

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Reforma Tributária

Imagem de perfil autor Tassiana Flores.
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Escrito por

Fernanda Camargo Fernandes

Coordenadora Fiscal e Consultora Tributária com mais de 20 anos de experiência. Na Pactum, lidera uma equipe multidisciplinar focada em soluções tributárias que promovem eficiência, segurança e crescimento para empresas, transformando desafios fiscais em oportunidades com ética, integridade e empatia.

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